quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma mente Brilhante!

"Sempre acreditei em números, nas equações e na lógica. Mas após uma vida de demanda, pergunto: o que é, na verdade, lógico? Quem decide o que é racional? A minha busca conduziu-me do físico... ao metafísico... ao delírio e ao regresso. E fiz a mais importante descoberta da minha carreira. A mais importante descoberta da minha vida. É apenas nas misteriosas equações do Amor que alguma lógica ou razão podem ser encontradas. Estou esta noite aqui, apenas, graças a ti. És a razão de eu ser. És todas as minhas razões. Obrigado".

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cameron Crowe é um dos diretores mais talentosos da geração que começou nos anos 1980 e se firmou na década seguinte. Seus filmes são intimistas, falam de temas pessoais, preferencialmente ligados ao amadurecimento dos personagens. Vem sendo assim desde sua estréia na direção, Digam o que Quiserem, até aquela que é considerada sua pequena obra-prima, Quase Famosos. Tudo Acontece em Elizabethtown também trata de amadurecimento e, como seus demais filmes, traz uma trilha sonora espetacular, escolhida a dedo.

Este filme consegue transportar a todos nós até um lugar onde coração, humor, música incrível e uma inesquecível história se encontram... bem vindos a Elizabethtown.

Um filme Lindo de se ver!




Abençoados os esquecidos?!

Aproveitando o post abaixo e indicando um filme. Quem nunca viu "Brilho eterno de uma mente sem lembranças".Veja!

O filme é uma lição em forma de película!Aprender a se render às lembranças ...às paixões...à vida!O fato é que se trata de um filme extremamente inteligente, com atuações brilhentes e momentos de pura poesia. Meu favorito? Não é de nenhum dos dois protagonistas, mas sim de Kirsten Dunst, quando ela cita o Pope, no momento em que aparece o porquê do título do filme... " Abençoados os esquecidos... Brilho eterno de uma mente sem lembranças..."

Sinopse: Após sua ex-namorada fazer um tratamento experimental para esquecê-lo, um homem decide se submeter ao mesmo processo. Porém ele acaba invertendo a situação, encaixando a ex-namorada em situações de sua vida as quais ela não esteve presente. Com Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Elijah Wood e Tom Wilkinson. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original.

O que te faz feliz?


Nós humanos somos seres estranhos. Nunca estamos felizes com nada. Vivemos sempre buscando algo que não temos, e o que temos já não nos importa. Algo como: a felicidade está em um patamar acima do nosso e estamos sempre a buscá-la. Enfim, por mais que tenhamos bens, saúde, uma família, sempre falta algo. Que seja algo distante, que seja impossível, pois será isso que iremos desejar, ainda que o que precisamos, de fato, esteja ao alcance de nossas mãos.
Carros, casas, bens, dinheiro, dinheiro. Seria essa a definição ideal de felicidade? Não sei, a resposta não é tão simples. Talvez a felicidade não se resuma nessas coisas, em bens materias, embora estas coisas ajudem muito. Talvez, as coisas mais mais valiosas que temos, por mais démodé que seja, são amores. Não amores carnais apenas, paixões, mas sim amores, amores pelo simples viver, do amanhecer de um dia, de uma vida envolta de prazeres simplórios, e que não são necessariamente relacionados a dinheiro. Tá, reconheço que isso é filosófico demais, mas é realidade. Afinal, a vida deve ser encarada como um simplicidade impressionante, porque a vida é mesmo complexa. Mas é difícil ver simplicidade na vida, porque, aliás, a felicidade é, além de tudo, complexa.
Quando criança, eu queria ser adulto, mas por que cargas d’água hoje eu gostaria de ser criança? Por que sentimos falta daquilo que tivemos, e que sempre desejamos descartar?
Afinal, o que te faz feliz? O que nos faz feliz? O que é ser feliz? Talvez seja a esperança de saber que o amanhã poderá ser melhor, e é por isso que batalhamos hoje. É, talvez ser feliz seja isso: viver o que temos pra viver da maneira que podemos.

Ousar, Arriscar...


Ousadia é quando a coragem diz para o coração: Vá! e ele vai mesmo.

Ode às mulheres!


COMO AS MULHERES DOMINARAM O MUNDO!
Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho...Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira.Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.- E aí, papai?- Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".- E vocês? Não perceberam nada?- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.- Aí, veio o golpe mundial?!?- Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...- Como era mesmo o nome dele?- William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...- Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...- Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...- Pai, conta mais...- Bem filho... O resto você já sabe.Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros...A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...- TPM???- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... E quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...- Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...

Um tanto de Loucura


Consciência...
E você, é feliz?!
Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
e eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no ar
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Numa viagem de cem léguas podem ocorrer muitas surpresas no derradeiro quilômetro do caminho.


Conta certa lenda que estavam duas crianças patinando num lago congelado. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!

Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:

- Eu sei como ele conseguiu.Todos perguntaram:

- Pode nos dizer como?- É simples. - respondeu o velho

- Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz.

"...Now I find I've chaged my mind and opened up the doors..." (By Lennon/McCartney)


(baseado em estórias orientais)

Certo dia, Verviel foi ter com uma senhora muito sábia e querida na região esquecida e fria de Floresan.

- Por favor, Sábia Ione, eu preciso de uma luz para clarear meus pensamentos e iluminar a direção correta. Minha vida está um caos!

- Toda grande mudança é precedida de caos meu jovem.

- Sim, disso eu sei... mas... mas eu já estou neste caos há bastante tempo. Nada muda. As coisas são sempre iguais, eu sou sempre igual!

- As coisas sempre mudam meu filho, sempre.

- Mas como é possível? Todos os dias eu me vejo na mesma situação, todos os dias eu vejo as mesmas coisas acontecerem em minha vida. Isso não pode ser mudança.

- Você medita?

- Sim, eu medito pelo menos duas vezes por semana.

- Você procura novidades em sua vida?

- Sim, estou sempre tentando inovar em algo, fazer um curso novo, sair com amigos...

- Você reza? Seja lá qual for sua religião.

- Sim, rezo sempre e peço a ajuda de Deus.

- Você procura mudar seu cotidiano?

- Sim, sim! Tento mudar todos os dias, mas nada muda!

- Meu jovem... sua vida já está mudando sim. Só que tais mudanças mais profundas não são perceptíveis. Elas simplesmente vão acontecendo conforme nós estamos abertos à elas e agimos em sintonia com elas. Você está agindo, mas talvez não esteja totalmente aberto, pois sempre procura observar se algo mudou ou não.

- Como assim?- É como plantar uma árvore. Você coloca a semente na terra e rega todos os dias. Ela está lá, crescendo dentro da terra antes de virar uma pequena muda, mas você não vê este crescimento dentro da terra. Imagine se você todos os dias a retirasse da terra para observar se ela está mesmo crescendo? Ela morreria.O jovem Verviel abaixou a cabeça e ficou pensamento.- Entendo o que quer dizer Ione...

- Não se preocupe com a mudança. Faça a mudança, faça parte dela, sem se preocupar com ela.- Mas... mas como eu vou saber em que momento realmente estou mudando???A senhora sábia riu e respondeu:- Você não vai saber. Um dia sim, você perceberá que mudou, mas não saberá quando isso aconteceu.

- Como isso é possível???- Bom... pegue esta semente no chão.Verviel pegou uma semente dentre várias que estavam no chão, em meio as árvores.

- Coloque aqui nesta parte do chão.

- disse Ione apontando para uma área de terra batida.Verviel colocou a semente e se afastou.- Agora pegue outra e coloque ali também.Verviel catou outra semente e colocou ao lado da anterior.

- Isso, agora pegue outra e coloque junto delas.Verviel ficou meio confuso, mas pegou outra semente e a colocou sobre as outras duas.

- Agora imagine se você pegar várias outras sementes deste chão, uma de cada vez e ir colocando elas ali, umas sobre as outras. Chegará um momento em que você não terá apenas uma quantidade de sementes no chão, um monte de sementes, mas sim uma montanha de sementes.- Sim, chegará um momento em que terei uma montanha. O que significa?

- Me diga, em que momento você terá essa montanha? A partir de qual semente você deixará de ter um monte de sementes no chão para ter uma montanha de sementes?

- Eu... eu... não sei... não consigo imaginar um momento onde eu coloque uma semente e o monte se transforme numa montanha, assim como não consigo imaginar um momento onde eu retire uma única semente e a montanha deixe de ser montanha e se torne novamente um monte.- Pois é meu jovem, mas com toda certeza quando ela estiver montanha, você saberá que é uma montanha, só não saberá quando isso aconteceu. Da mesma forma ocorre com nossas mudanças.Verviel compreendeu e se iluminou.

Um beijo para a história


Esta bela foto, que data de 1950, é considerada como amais vendida da história. Isto devido à intrigante história com a que foidescrita durante muitos anos: segundo se contava, esta foto foi tiradafortuitamente por Robert Doisneau enquanto se encontrava sentado atomar um café. O fotógrafo acionava regularmente a sua câmara entre aspessoas que passavam e captou esta imagem de amantes beijando-se compaixão enquanto caminhavam no meio da multidão.Esta foi a história que se conheceu durante muitos anosaté 1992, quando dois impostores se fizessem passar pelo casalprotagonista desta foto. No entanto o Sr. Doisneau indignado pela falsa declaração,revelaria a história original declarando assim aquela lenda: a fotografianão tinha sido tirada a esmo, senão que se tratava de dois transeuntes quepediu que posassem para sua lente, enviando-lhes umacópia da foto como agradecimento.55 anos depois Françoise Bornet (a mulher do beijo) reclamou osdireitos de imagem das cópias desta foto e recebeu 200 mil dólares.

Meu Caro Amigo, uma Indicação de Urariano...


Chico Buarque, meu caro amigo


Urariano Mota


Quando Chico Buarque divulgou para o mundo “meu caro amigo”, os brasileiros sofríamos o ano de 1976.....não é isso. Que começo mais triste e medíocre para estas linhas! Deveríamos dizer, quero dizer:

Quando ouvi pela primeira “Meu caro amigo”, eu estava angustiado e fodido em São Paulo, sufocado em um quarto do tamanho de uma cama, um passa-discos e um banquinho.

“Meu caro amigo, me perdoe, por favor / Se eu não lhe faço uma visita / Mas como agora apareceu um portador / Mando notícias nessa fita / Aqui na terra ‘tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta.....”

Bebíamos cachaça e a agulha retornava pesada, bêbada e sôfrega para a mesma faixa. Embriagávamo-nos de música, podíamos quase dizer. Se me entendem, quero não apenas dizer, mas apenas começar a dizer que a música, naqueles anos, já trazia em si a nossa dissolução, que seus acordes já exigiam, para a sua plenitude, o álcool, o álcool e o álcool: o nosso inferno, o nosso fogo e a nossa dor. Era um suicídio de representação. À distância, ficamos sem saber como escapamos. Ou vendo de outra maneira, porque sobrevivemos a essas anulações de fera que sente: somente a distância compreendemos que por isso mesmo, por essas celebrações musicais, representações da morte, escapamos.

Ouvir Chico naqueles anos não era bom. Era necessário, vital, urgente. Não sou cocainômano, não sei, mas possuidor de outros vícios, posso imaginar a sua sofreguidão. Por isso digo que buscávamos a música de Chico à semelhança de um viciado que procura a sua salvação, urgente, agora, para ontem. E isto, se aliviava, deixava em seu próprio alívio a ferida mais aberta. Até onde a memória alcança, lembro que nos momentos em que ouvíamos Chico a alegria não tinha morada. E isto, dividam comigo por favor a dúvida, não sei se vinha da própria natureza da sua composição ou das circunstâncias, do tempo miserável da ditadura militar em que vivíamos. Pois ele era a expressão musical da nossa asfixia.

Não pensem que reagimos como amestrados cães de Pavlov. Isto é, como ouvíamos muito Chico durante a ditadura militar, teríamos para sempre associado o azinhavre da baioneta à sua música. Ouçam, por exemplo, o Chico sem panfleto, sem mensagem antiditadura, um Chico sem bandeiras de maio de 68:

“O meu amor / Tem um jeito manso que é só seu / E que me deixa louca / Quando me beija a boca / A minha pele inteira fica arrepiada / E me beija com calma e fundo / Até minh’alma se sentir beijada, ai / O meu amor / Tem um jeito manso que é só seu / Que rouba os meus sentidos / Viola os meus ouvidos / Com tantos segredos lindos e indecentes /Depois brinca comigo / Ri do meu umbigo / E me crava os dentes, ai...”.

É uma celebração do amor, é certo. Um porque me ufano do prazer e carinho que meu amor me extrai e me dá. Um canto da alma feminina, segundo a tradição crítica, à qual poderíamos acrescentar: um canto do homem que faz a mulher cantar o prazer que recebe. Há muita beleza, e verdade nessa letra, percebemos. Mas reparem, é uma comemoração de Dioniso. Nela não há mãos dadas dos amantes ao pôr-do-sol, o relaxar após o êxtase. Pelo contrário, é um cântico aos jogos amorosos que anunciam a tempestade. A flecha rumo às nuvens carregadas, prenhes de raios e tormentas. Queremos dizer: é do estilo, é do gênero, é da alma do compositor a inquietação, a ansiedade, um mal-estar no mundo. O amor como um sempre contentamento descontente. A léguas de distância do “quando a gente gosta de uma pessoa, somente estar juntinho dela já é um grande bem”. Mas, mas, pero, pero. Falar próximo, da coisa real com a coisa real, falar da música desse grande compositor é tecer composições cheias de adversativas, de contradições, de idéias que zarpam, às quais temos de rápido agarrar no espaço.

Mas, primeiro. Essa ausência do amor apolíneo, esse ausência do cantar maturado da felicidade que partiu, como num Cartola, enfim, essa falta de serenidade, longe está de ser uma falta de beleza, uma restrição da arte plena. Desde Kafka aprendemos que de uma só maneira se faz arte: de todas as maneiras.“De todas as maneiras / Que há de amar / Nós já nos amamos / Com todas as palavras feitas pra sangrar / Já nos cortamos / Agora já passa da hora / ‘Tá lindo lá fora / Larga a minha mão / Solta as unhas do meu coração / Que ele está apressado / E desanda a bater desvairado / Quando entra o verão...”Porém, segundo. É de um barbarismo grande falar de música sem a música mesma. Não sei se na frase anterior eu consegui ser mais bárbaro. Porque desejo dizer: o aproximar-se, pela compreensão, pelo deciframento, de uma arte específica exige uma imitação de sua especificidade. Danou-se, parece que desta vez me expressei pior. Porque desejo dizer: um marciano não compreende um terráqueo. Sim, por incrível que pareça, agora estou mais próximo, porque desejo dizer: a arte, como expressão maior de e da humanidade, exige e impõe a visão e o usufruto humanos. E se vemos a arte como um total oceano, repleto dos outros Pintura, Literatura, Cinema, Música...., o atingir o específico desses mares é melhor feito por quem é da fauna, ou pelo menos sabe imitá-la tão bem como se não parecesse uma imitação. Aquele dito eterno de que a melhor arte esconde a sua arte. Ao que acrescentamos, tortamente: a boa crítica imita o que critica. A melhor, nem parece.

Sem embargo, terceiro. Nessa busca da música popular, cantada, é de um bárbaro reducionista (e não seria todo bárbaro uma redução? – aquela pessoa é um inimigo, e um inimigo é um pescoço a ser cortado?), é uma violência estúpida o amesquinhamento da canção à sua letra, que por sua vez se transforma em objeto autônomo, elevado a poema. Esta é uma operação que não engrandece primeiro àqueles a quem julga beneficiar, os compositores de música, e em segundo, muito menos, aos poetas. Os compositores, reis e soberanos, indispensáveis a todos nós, não precisam dessa invasão de domínio. Os poetas, por sua vez, sentem-se com toda justiça espoliados. E acompanhem essa dupla violência e injustiça: quando alguém destaca a letra da música sempre o faz com a lembrança da melodia; quando alguém destaca um poema, destaca-o do quê?, destaca-o da própria força do seu ritmo, imagem, verdade, expressão e síntese. Os poetas, soberanos absolutos no reino do poema, só têm as palavras, o compositor popular tem palavras e melodia, e, por vezes, ninguém sabe ao certo o que mais tem.

Porém, por fim. Falar de um compositor a partir das letras de suas músicas é abstrair a “interferência” da música em suas palavras, é, mais longe, esquecer o arranjo feito para a canção que não sai da lembrança, e, bem mais certo, é cortar a cabeça do intérprete, esse novo artista que relê e nos devolve uma canção absolutamente renovada, quando não outra, com toda radicalidade. Uma história da música sempre será uma omissão se desprezar o papel do intérprete. Em nome da nossa inteligência, dessa comunhão e cumplicidade que se estabelecem entre quem escreve e quem lê, façamos de conta que esquecemos inúmeros e infindáveis exemplos de músicas que não existiriam sem os seus cantores/intérpretes.

Um último entretanto. Milton Nascimento, o escultor e inventor de melodias, já declarou certa vez que não gosta de quem aponta em Chico a excelência da letra. Que isto é um elogio contra. (Saibam que no Brasil, aqui e ali, elogiamos contra. “Lima Barreto, o maior escritor brasileiro”, dizemos, contra Machado de Assis. “Grande coração tem este homem”, dizemos, para constranger uma pessoa a quem o generoso ajudou.) Isto porque esse destaque se faz para obscurecer a qualidade da música de Chico. Mas como, não digo realçar, mas como não lembrar as letras de um homem que acerta

“Ó pedaço de mim, / Ó metade arrancada de mim / Leva o vulto teu / Que a saudade é o revés de um parto / A saudade é arrumar o quarto / Do filho que já morreu” ?

No momento em que escrevo, uma pequena pluma, vinda de não sei onde, desceu pela janela, soprada pela brisa da manhã. Procuro-a pelo chão, inútil. Quem sabe se isto não significa que é hora de suspender o coração e deixar para outra oportunidade estas anotações sobre a música de Chico? Eu não sou supersticioso, mas uma pluma pela manhã, de repente, enquanto escrevo sobre o compositor Chico Buarque, sei não, melhor parar. Até amanhã, se Deus quiser, mas se não quiser...

(http://urarianoms.blog.uol.com.br/ ou Também publicado em

http://www.novacultura.com/, pertinho da web, na Alemanha)

Walt Disney já dizia que criatividade é como ginástica: quanto mais se exercita mais forte fica.


ALGUMAS DEFINIÇÕES DE CRIATIVIDADE:


"o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma" (Suchman, 1981)


"criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo" (Stein, 1974)


"criatividade representa a emergência de algo único e original" (Anderson, 1965)


"criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados" (Torrance, 1965)


"um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística" (Amabile, 1983)


O PROCESSO CRIATIVO

Percepção do problema.

Teorização do problema

Considerar/ver a solução.

Produzir a solução.


No final é 1% inspiração e 99% de transpiração!